Atum Tenório

Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

segunda-feira, novembro 30, 2009

nota: ampulheta

Qual rafeiro bem apontado, o piegas do Esteves sentia a milhas quando os ares se inquinavam na sua direcção. Abençoado com o duvidoso dote da sinestesia emocional, os cheiros da ameaça eram sempre acompanhados por um fantasmagórico fumo verde que se começava por escapulir entre as frinchas da última porta do corredor. Era então que sabiamente decidia ir arrumar ficheiros nos arquivos da cave, 9 pisos abaixo, onde guardava uma ampulheta que observada cuidadosamente antes de subir. Tinha sido herança de família, calibrada por um tio obsessivo-compulsivo, para marcar a devida margem de segurança em relação às iras dos sub-chefes de repartição (em casa, Esteves tinha no armário uma outra, para cronometrar os chefes mas pelo andar da carruagem a promoção não viria tão cedo)...