Atum Tenório

Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

domingo, março 04, 2007

nota: pandega a alfândega

o longo corredor de luzes indirectas, amareladas, tom de papel de arquivo, acompanhava os passos arrastados de quem adivinhava a manhã perdida. ao franquear a soleira do primeiro gabinete o riso solto e anónimo fê-lo hesitar. bateu levemente com os nós dos dedos (tinha-os enlaçado de manhã, nunca suportou aquelas modernices de velcro) e espreitou: em cima da mesa, três funcionários da alfândega, com a gravata desapertada, tomavam banho dentro de um caixote de bolinhas de esferovite. fechou a porta de mansinho antes de irromper de pela sala adentro berrando:

MAS QUE É QUE VEM A SER ISTO?!