Atum Tenório

Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

quinta-feira, março 29, 2007

nota: Samuel

Nasceu o Samuel, que ainda há-de dar que falar, nem que seja na rádio, ao governo derrubar!

hip hip HURRA!

hip hip HURRA!

hip hip HURRA!

e viva o Samuel!

nota: 4'33''

4'33'' score

(



!




?




ah!
)


clap, clap, clap.

sexta-feira, março 23, 2007

nota: o mago de voz rouca

Tom Waits

Paredes escorrendo história, em tom sujo, papel rasgado pendendo. Saímos, intoxicados com o álcool e a música até à rua, nu corredor de e para nenhures, varrido com o vento suave e poeirento do anoitecer. E depois rimos e dançamos, contando histórias de aventuras em mares sem repouso, embarcações de velame corrido e madeiros corcomidos.

[Apontamento] Tom Waits

quinta-feira, março 22, 2007

nota: xadrez



O velho, ao atingir a cegues absoluta, viu-se na posse do dom da visualização do futuro, em multi-camadas sobrepostas. Desde então os seus dotes xadrezisticos afundaram-se na contemplação de tudo o que poderia ser.

[Apontamento] Thinking Machine

quarta-feira, março 21, 2007

nota: 1904-1905



terça-feira, março 20, 2007

nota: G.

as miúdas de G. traziam sapos no bolso para se defenderem dos estrupadores que povoam a floresta adjacente. quando estes apareciam encostavam-lhes os batráquios aos lábios transformando-os. depois davam-lhes cigarros deixando-os explodir ao sol do fim da tarde.

segunda-feira, março 12, 2007

nota: futuro alternativo



A sala bruxeleava em tons de amarelo das lâmpadas de filamento de carbono. Sorrindo, aproximou-se de uma grande mesa central, em carvalho antigo, pesada, e removeu um pano que a cobria. Ocultado debaixo do tecido uma nova cidade despontava prometendo esmagar a humanidade com a sua proporção fora da compreensão.

- E então, constrói-se?, perguntou avido de aquiescência.

[Apontamento] Ottens

sexta-feira, março 09, 2007

nota: sensação

O vento empurra delicadamente a face, pressionando os pelos da pêra.

domingo, março 04, 2007

nota: pandega a alfândega

o longo corredor de luzes indirectas, amareladas, tom de papel de arquivo, acompanhava os passos arrastados de quem adivinhava a manhã perdida. ao franquear a soleira do primeiro gabinete o riso solto e anónimo fê-lo hesitar. bateu levemente com os nós dos dedos (tinha-os enlaçado de manhã, nunca suportou aquelas modernices de velcro) e espreitou: em cima da mesa, três funcionários da alfândega, com a gravata desapertada, tomavam banho dentro de um caixote de bolinhas de esferovite. fechou a porta de mansinho antes de irromper de pela sala adentro berrando:

MAS QUE É QUE VEM A SER ISTO?!