nota: Samuel
Nasceu o Samuel, que ainda há-de dar que falar, nem que seja na rádio, ao governo derrubar!
hip hip HURRA!
hip hip HURRA!
hip hip HURRA!
e viva o Samuel!
Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.
Nasceu o Samuel, que ainda há-de dar que falar, nem que seja na rádio, ao governo derrubar!

as miúdas de G. traziam sapos no bolso para se defenderem dos estrupadores que povoam a floresta adjacente. quando estes apareciam encostavam-lhes os batráquios aos lábios transformando-os. depois davam-lhes cigarros deixando-os explodir ao sol do fim da tarde.

o longo corredor de luzes indirectas, amareladas, tom de papel de arquivo, acompanhava os passos arrastados de quem adivinhava a manhã perdida. ao franquear a soleira do primeiro gabinete o riso solto e anónimo fê-lo hesitar. bateu levemente com os nós dos dedos (tinha-os enlaçado de manhã, nunca suportou aquelas modernices de velcro) e espreitou: em cima da mesa, três funcionários da alfândega, com a gravata desapertada, tomavam banho dentro de um caixote de bolinhas de esferovite. fechou a porta de mansinho antes de irromper de pela sala adentro berrando: