Atum Tenório

Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

domingo, dezembro 03, 2006

nota: o martelo da razão

Alexei sabia no íntimo que registo algum poderia conter um imutável tratado sobre "o que era" ou do "como era que era o que era". E daí também sabia que tinha de destruir, através do exercício da lógica, aquele edifício que o fascinava, com os seus conceitos bem organizados e encadeados. Alexei precisava, em suma, de um martelo intelectual movido pela energia das ideias. A sua vasta vontade era um enorme campo latente de combustível que, infelizmente, tinha dificuldades em transformar de forma útil no alimento de tão almejada ferramenta. Mas Alexei não vacilou. De tesoura e cola em punho cortou a eito pela selva dos conceitos e modelos sociais, esmagando-os com a violenta singeleza da natureza humana. O crivo da realidade, aplicada em bruto, fazia assim tombar mais um teórico do conhecimento. À frente da parede ensanguentada outro imbecil tomou lugar e Alexei sacudiu o suor da testa, pensando no almoço.