O gato tigre

O pequeno gato negro do tio Grumman fazia as delícias da dona quando ronronava de forma síncrona, aplicando injecções naturais de adrenalina directamente ao cortex.
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Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

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o processamento visual da informação sempre foi capaz de nos atingir os neurónios mais rápido que a cadencia metralhada das palavras. mesmo que andem para aí a impingir essa história da relação dos matemáticos com as equações, o facto é que o cerébro deles foi geneticamente manipulado na Zona B para absorver o deslumbre gráfico das equações através de um co-processador interno. Abdu Al-Zagube, ilustre figura de proa do novo renascimento é disso prova. a excisão pode ser observada ao longo da linha cervical, começando logo abaixo da orelha.
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estava de passeio pelo cemitério e decidi olhar o placar de avisos: aí, no meio dos afixos dos passantes, a nota que fez clic.
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Arménio Pinho lia, abismado, o relatório médico. então sempre era verdade, aquele incómodo no fundo do estômago, horas de sono trocadas, a enxaqueca permanente... Arménio Pinho relia, incrédulo que tal coisa pudesse acontecer. o manuscrito era contudo categórico: Arménio Pinho sofria de jet-lag dos serviços, uma doença rara causada pelos atrasos constantes sofridos nas filas de repartições, em casa à espera do canalizador, homem dos móveis e porteiro, no consultório do dentista... Arménio Pinho, mal habituado por uma educação paterna rigída e pontual, não conseguia ajustar o relógio interno às realidades do país onde vivia e estava condenado a um deslocamento de fuso horário permanente. ao fundo da página o salvo-conduto para a felicidade: o endereço dos Pontualista Anónimos, o conjunto de desajustados sociais que tentavam a todo o custo adaptar-se ao laxismo existente...
o pequeno Ansaldo triturava contente o cascalho seco debaixo das lagartas metálicas, inebriado pelos vapores de gasolina que libertava ao transpirar. de vez em quando lá descobria um ninho de insurrectos que tratava de aspergir com as labaredas do seu pequeno canhão, rindo-se com um divertimento cruel e infantil. encontrei-o anos mais tarde, perdido no meio dessas montanhas cauterizadas pelo sol, enferrujando lentamente sob o vento ameno do fim de tarde, perdido nas memórias do imperialismo Italiano.
Alexei sabia no íntimo que registo algum poderia conter um imutável tratado sobre "o que era" ou do "como era que era o que era". E daí também sabia que tinha de destruir, através do exercício da lógica, aquele edifício que o fascinava, com os seus conceitos bem organizados e encadeados. Alexei precisava, em suma, de um martelo intelectual movido pela energia das ideias. A sua vasta vontade era um enorme campo latente de combustível que, infelizmente, tinha dificuldades em transformar de forma útil no alimento de tão almejada ferramenta. Mas Alexei não vacilou. De tesoura e cola em punho cortou a eito pela selva dos conceitos e modelos sociais, esmagando-os com a violenta singeleza da natureza humana. O crivo da realidade, aplicada em bruto, fazia assim tombar mais um teórico do conhecimento. À frente da parede ensanguentada outro imbecil tomou lugar e Alexei sacudiu o suor da testa, pensando no almoço.
meia-hora de conversa depois apercebeu-se para onde tinha sido perigosamente arrastado. o interlocutor, um secretário de grau cinco da repartição de projectos, tinha-lhe sido maldosamente atirado para o caminho e realizava agora com a maior candura e profissionalismo a sua actividade preferida: agarrar no centro motor do projecto e alterar-lhe a direcção, fazendo-o rodar eternamente no ciclo da burocracia. alguém, lá em cima, não gostava de si.