Atum Tenório

Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

segunda-feira, julho 31, 2006

nota: apontamento sobre a história da música de dança

o pianista era um epilético espealista em ragtime. os pares dancantes estavam sempre demasiado atarefados a tentar seguir o ritmo louco para reparar na escuma que lhe orlava os lábios. e isto foi o ínicio da música dançante eléctrica.

sexta-feira, julho 28, 2006

nota: viajante


num mundo em especialização, o olhar abrangente ganha mais valor pela capacidade de expôr a riqueza das ligações esquecidas. a transcêndencia acima do mundano é também muito mais fácil de conseguir assim. Thoreau escreveu que nunca aprendeu nada com alguém mais velho. acho que não encontrou os mestres certos.

segunda-feira, julho 24, 2006

nota: RAN




o impressionante do génio. da história e da sua concretização. vénia e saída.

[Apontamento] Akira Kurosawa

terça-feira, julho 11, 2006

nota: 5 esferas



bate como o coração de um ratinho ocupado, transformando os movimentos negligentes do pulso na contabilidade ritmada do dia.
[Apontamento] eterna

segunda-feira, julho 10, 2006

nota: Porco Rosso



e cá estão eles, belos e reluzentes, aleivosos seres cortando o ar em cores garridas, fazendo fosquinhas às nuvens e carregando a beleza romantica da incompreensão às suas cavalitas.
[Apontamento] Porco Rosso


e, já agora, o velho ergeu-se de novo nos ares. pode de novo assaltar as nuvens, rugindo os seus 600 cavalos nos ouvidos dos incautos e dos apaixonados...



[Apontamento] Aero Fénix

sábado, julho 08, 2006

nota: abismo

os meus olhos cruzaram, já várias vezes, com essa passagem de "Eumeswill" em que a fragilidade humana se cruza com a aquilo que não podemos controlar, o poder desconhecido e latente da energia. o clarão azul que ilumina o ar, trazendo a escuridão consigo e recolocando a vida em perspectiva. é assombroso também essa nossa capacidade de tal escamotearmos, relegando a nossa fragilidade e transitoriedade para uma gaveta esquecida da mente, prosseguindo na ilusão de uma imortalidade inexistente. do outro lado, que haverá? é a pergunta que fica pendente, balouçando como uma rapariga mais velha num baloiço, detendo respostas a que não temos acesso, como numa das mais velhas piadas do mundo...
"perguntei a um rabi o sentido da vida... "
[Apontamento] Ernst Jünger

sexta-feira, julho 07, 2006

nota: rebobinar

- o camarada tem um cigarro?
- desculpe, não fumo
(..)
- o cavalheiro fuma?
- não
(..)
- quer um cigarro?
- não obrigado, não fumo
(..)
- importa-se que fume?
- sim, incomoda-me
(mas eles vão e acendem o sacana do cilindro à mesma. já meti um balão de água no bolso à espera do próximo...