nota: mais um
reparou que, como ele, alguém escrevia bilhetes nas árvores.
Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.
testemunho de uma amizade interoceânica (fica um longo Atlântico pelo meio) chupo com prazer um chimarrão pela bomba, recarregando as pilhas logo de manhã.
ao correr da escrita, a tinta brilha negra e liquida no fundo das letras antes de secar.
o cilindrar dos longos carris de aço é uma canção para adormecer os sentidos. ou então, como hoje, a banda sonora para acompanhar os carneiros sobre o Tejo.
"Sou um carnivoro, argh, argh." Depois de soltar aquela, fazendo floreados de quem se arma em pirata, arroz de cabidela espalhado pelo guardanapo ao peito, conseguia sempre umas gargalhadas dos miúdos. A esposa (gabe-se-lhe a paciência), limitava-se a sorrir.
a mistura viva do líquido fundido corre o papel soltando por fricção sons que são aprisionados na electrónica dos microfones de contacto. o processamento é multiplo e concorrente, o resultado variável, a experiência interessante. fica o apontamento.
o maquinista desligou a máquina e deixou o comboio deslizar, no quase silêncio da ausência do resfolegar dos motores como... uma suavidade de deslizar de lençois percebida estremunhadamente contra a luz da manhã. quando os comboios se cruzaram, foi o depositar de uma almofada de ar revolvido e depois o retomar da marcha soube ao café quente da manhã.