aforismo: justiça
ninguém se importa levar, desde que ache justo
Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.
1. ashibumi
tudo se reduz ao como estar onde se está. e cada vez mais nos esfregam isso na cara e um tipo, atrapalhado, sem pensar, tenta justificar-se e acaba emaranhado nos valores dos outros. é preciso estar de sobreaviso para não cair na esparrela. e, mesmo assim... vai lá, vai...
depois de atingido o avião deslizou pelo céu sobre uma rasto de fumo negro. dentro, o sangue quente jorrando mergulhava o piloto num estado de morna sonolência, a dor anestesiando os sentidos. ao fechar dos olhos a máquina fundiu-se com ele, explodindo e projectando a sua existência sobre os campos gelados da estepe. um pequeno e fútil acto de criação coroando o desperdiçar da existência.
mergulho de novo nos braços acolhedores da Floresta. nas mãos levo um velho guia, companheiro de viagens e naturalista nato. o mais das vezes meto-o no bolso porque lhe conheço as palavras de cor e basta o leve contacto com o papel para o recordar. e aqui, como no meio dos homens, os problemas continuam os mesmos: como estar no caminho e como lidar com a efemeridade...
o rapaz encostou-se ao balcão, silenciosamente, e pos-se a observar a dança das coisas que saem de latas e frascos, à sua frente. ela, distraída na sua concentração, enchia-se de farinha e de cheiros. as tantas, não se segurou mais, saltou a bancada e pespegou-lhe um beijo vindo de trás, mesmo em cheio nos lábios. ela sabia a chocolate com raspas de framboesa...