Atum Tenório

Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

sábado, março 05, 2005

nota: broa

pelo meio da manhã, algo preguiçoso (já o sol ia acima dos prédios), desceu-se à praça, ao pão. no saco, à volta, espreitava a boa broa de milho, de que o corte da navalha ao almoço expôs o amarelo das entranhas. a côdea dura, bem cozida, por si, chegava para justificar o aguado da boca. é coisa interessante esta da broa, gosto adquirido já depois dos anos da infância, em que o regalo era o papo-seco, a desfazer seguindo religiosamente a ordem da goludice: primeiro os bicos, depois, sacado a gancho de dedo, o miolo e, debaixo do ar paternal reprovador, lá ia o resto da carcaça só para despachar. agora a broa, pão de velhos e imediatamente relegado para o lado, só chegando a barba à cara, é que apurou. foi a veia granítica das origens a aflorar à pele e a reclamar terreno. e, se é para a goludice, deixa-se o miolo do papo-seco aos putos e borda-se o naco com azeite...
[Apontamento] Museu do Pão

1 Filetes:

At 2:10 da tarde, Blogger Papo-seco said...

Regalo, eu?

:)

 

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