Atum Tenório

Sobre as coisas que para aí andam e nos caem à frente.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

nota: perseguição

mediu a distância, pôs-se em posição e saltou. a meio do caminho, claro está, a folha levou um piparote do vento, mudou de trajectória e foi para outro lado. ele, muito pesado, ainda volteou no ar mas debalde, tudo o que encontrou foi o chão (cumprimentaram-se efusivamente e despediram-se logo a seguir, que ele tinha de a agarrar). três grande saltos deu por entre as ervas (ela tinha-se decidido a fazer-lhe fosquinhas de entre as árvores) antes de-VUUUSSSSSSHHHH-quase colidir com uma bicicleta. o dono do velocipede fez uns esses mas lá se indireitou, entrando a direito no lago. ele é que não ficou para ver, continuou atrás dela a todo o vapor (nesta altura já fumegava, apitando entre as abas do chapéu) até; [agora sim] estender a mão e a encostar contra uma árvore (australiana, disseram-me mais tarde). respirou fundo, alisou-a contra o peito, dobrou-a em quatro e pô-la no bolso do casaco. quando se virou levou uma chapelada do dono da bicicleta que escorreu do lago pelo bolso das calças.